Semi-árido > Secas
Por que existem as secas?
A evaporação das águas no semi-árido é muito
alta, por força do sol e do vento e pela falta de plantas e outras coberturas
naturais suficientes. Além disso, as chuvas na região não
caem ordenadamente e cerca de 50% dos terrenos do Semi-árido são
de origem cristalina, rocha dura que não favorece a acumulação
de água, sendo os outros 50% representados por terrenos sedimentares,
com boa capacidade de armazenamento de águas subterrâneas.
São apenas dois os rios permanentes que cortam o Semi-Árido: o
São Francisco e o Parnaíba; sendo que os demais aparecem de forma
intermitente (apenas nos períodos de chuva), desempenhando, contudo,
um papel fundamental na dinâmica de ocupação dos espaços
nessa região.
Seca não é uma só
As secas podem ser classificadas em hidrológicas, agrícolas e efetivas.
A hidrológica caracteriza-se por uma pequena, mas bem distribuída,
ocorrência de chuvas. Elas são suficientes apenas para dar suporte
à agricultura de subsistência e às pastagens.
A seca agrícola, também conhecida como "seca verde",
acontece quando há chuvas abundantes, mas mal distribuídas em
termos de tempo e espaço. A seca efetiva ocorre quando há baixa
precipitação e má distribuição de chuvas,
tornando difícil a alimentação das populações
e dos rebanhos e impossibilitando a manutenção dos reservatórios
de água para consumo humano e animal.
O Nordeste já enfrentou secas assim em 1983, quinto ano consecutivo da
estiagem que assolou a Região a partir de 1979. O ano de 1993, quarto
de inverno irregular, também trouxe um longo período de seca para
os nordestinos. Nesta época, houve falência total das lavouras
e esgotamento das reservas hídricas.
Polígono das Secas
Não é apenas o Semi-Árido que sofre com os efeitos da seca.
O fenômeno atinge também o agreste, a área canavieira e
cacaueira e até as serras úmidas. Com toda esta abrangência,
agrava-se a situação econômica regional e ocorre a crescente
descapitalização do homem do campo.
O Polígono das Secas compreende a área do Nordeste brasileiro reconhecida pela legislação como sujeita a repetidas crises de prolongamento das estiagens e, conseqüentemente, objeto de especiais providências do setor público. É composto de diferentes zonas geográficas, com distintos índices de aridez. Em algumas delas o balanço hídrico é acentuadamente negativo, onde somente se desenvolve a caatinga hiperxerófila (com grande capacidade para armazenar água). Em outras, verifica-se balanço hídrico ligeiramente negativo, desenvolvendo-se a caatinga hipoxerófila (com pequena capacidade para armazenar água). Existem também áreas de balanço hídrico positivo e presença de solos bem desenvolvidos. Contudo, nessa área ocorrem, periodicamente, secas que representam, na maioria das vezes, grandes calamidades, ocasionando sérios danos à agropecuária nordestina e graves problemas sociais.
962.857,3 km² da área do semi-árido situa-se no Polígono
das Secas, delimitado em 1936, através da Lei 175, e revisado em 1951.
O Polígono abrange oito Estados nordestinos, além de parte do
norte de Minas Gerais. Pela Constituição de 1946, Art. 198, Parágrafos
1º e 2º, foi regulamentada e disciplinada a execução
de um plano de defesa contra os efeitos da denominada seca do Nordeste.